Desde a sua morte prematura, ocorrida em outubro de 1996 aos 36 anos de idade, o culto em torno do nome de Renato Russo jamais cessou. Sete álbuns póstumos (cinco com a Legião Urbana e mais dois de Renato em carreira solo) já haviam sido lançados, e agora está chegando às lojas O Trovador Solitário, mais um disco resgatando o legado deixado por Renato Manfredini Jr.
As 11 faixas de O Trovador Solitário foram extraídas de fitas-cassete encontradas em Brasília por Carmen Manfredini, irmã do cantor. São gravações realizadas em 1982, entre o fim do Aborto Elétrico, primeira banda de Renato Russo, e imediatamente antes da criação da Legião Urbana. Todas as músicas foram digitalizadas sob a supervisão de Marcelo Fróes, jornalista, pesquisador e amigo de Renato. Outra atração do CD, que está sendo lançado pela gravadora carioca Coqueiro Verde, é o encarte, que reproduz fotos, ilustrações e manuscritos feitos pelo vocalista da Legião.
O álbum traz diversos sucessos da Legião Urbana, como "Geração Coca-Cola", "Eduardo e Mônica" e "Faroeste Caboclo", em suas versões iniciais. Além disso, há composições que ainda estavam inéditas na voz de Russo, como a de "Veraneio Vascaína", gravada pelo Capital Inicial em 1986.
Neste domingo, dia 13 de julho, será celebrado o Dia Mundial do Rock. A justificativa para a data: 13 de julho de 1985 foi o dia em que foi realizado o Live Aid, mega-concerto organizado pelo músico irlandês Bob Geldof, em prol dos famintos da África, reunindo dezenas de bandas em dois shows que foram realizados simultaneamente nas cidades de Londres, Inglaterra, e Filadélfia, Estados Unidos. Foi um acontecimento marcante, sem dúvida nenhuma. Mas eu, particularmente, teria escolhido outra data para essa celebração: 3 de fevereiro.
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Final dos anos 50. O rock'n'roll mal havia inscrito suas primeiras notas na História da Música e já passava por uma crise criativa, ameaçando perecer no mesmo limbo de outros estilos como a rumba, o calipso, o twist e o cha-cha-cha. Como peças de dominó, um a um os maiores ídolos da época viram suas carreiras tombarem de um dia para o outro. Tudo começou com o alistamento de Elvis Presley ao Exército, em 1957. Depois, Jerry Lee Lewis viu sua carreira soçobrar após o escândalo causado por seu casamento com uma prima de apenas 13 anos de idade. Enquanto isso, Little Richard encontrara "a luz" e trocara o rock pela Igreja, e Chuck Berry terminou a década preso na cadeia, após ter sido flagrado com uma prostituta menor de idade.
O vácuo repentino de ídolos abrira espaço para a ascensão meteórica de três novos talentos: o genial Buddy Holly (e sua banda The Crickets), Ritchie Valens (intérprete do sucesso "La Bamba", pioneiro do rock latino) e The Big Booper (DJ mais famoso da América e autor do hit "Chantilly Lace"). Durante o inverno de 1959, ambos participavam da turnê Winter Dance Party, consolidando junto aos fãs do meio-oeste americano o sucesso recém-adquirido (Valens tinha apenas 17 anos). Seguiram-se infindáveis, extenuantes viagens de ônibus, ao longo de estradas constantemente cobertas de neve.
Um dia, Buddy Holly jogou a toalha. Na madrugada de 3 de fevereiro de 1959, logo após um show em Clear Lake, no estado de Iowa, Buddy decidiu fretar um avião. Havia espaço para mais dois passageiros. Uma das vagas ficou com Big Booper, que, fortemente gripado, pediu para ser poupado de mais uma via-crúcis no indefectível ônibus dos músicos. A última poltrona, disputada no cara-ou-coroa, ficou com Ritchie Valens. Nem sempre quem ganha leva: poucos quilômetros depois de decolar, o avião caiu, certamente devido às péssimas condições climáticas, matando todos os seus ocupantes.
O rock tardaria a se recuperar de tantos baques. As paradas de sucesso da época foram assoladas por baladas melosas de nomes como Paul Anka, Pat Boone e Neil Sedaka. Até Elvis Presley entrou na onda; ao voltar das Forças Armadas, optou por consolidar sua imagem de galã de cinema, gravando basicamente musiquinhas "mela-cueca". Apenas na metade dos anos 60 o rock resgataria sua vocação transgressora, graças a Bob Dylan, Beatles e Rolling Stones. Contudo, os pioneiros, os responsáveis pelas primeiras faíscas, merecem ser lembrados: sempre que uma guitarra Fender ou Gibson for plugada em um amplificador, acredito que ao menos um isqueiro merece ser aceso em homenagem a esses caras - Buddy, Ritchie e Big Booper.
A banda liderada por Trent Raznor fará duas apresentações por aqui, no braço brasileiro da turnê de divulgação de "The Slip", álbum mais recente do Nine Inch Nails que foi disponibilizado para download gratuito no site da banda, e que já foi baixado por mais de 1,4 milhão de usuários desde o dia 5 de maio.
O NIN tocará dia 7 de outubro no Via Funchal, em São Paulo; e no dia 9, na cidade de Porto Alegre. Os ingressos já estão à venda. Como uma prévia do que você poderá conferir em breve ao vivo, vejam "Letting You", vídeo de uma apresentação que o Nine Inch Nails fez especialmente para o site Pitchfork.TV.
P.S.: Lamentavelmente os shows do Nine Inch Nails foram cancelados devido a "imprevistos técnicos".
Definitivamente encontra-se de tudo na internet. Pois não é que, navegando por aí, me deparei com um blog que se dedica exclusivamente a traduzir músicas dos Rolling Stones para o espanhol? Achei essa uma iniciativa sensacional, de dar inveja aos portugueses e brasileiros que ainda não tiveram a idéia bacana de apertar a tecla SAP das composições de Mick Jagger & Keith Richards e criar algo semelhante para o nosso idioma. E foi assim que "As Tears Go By", por exemplo, transformou-se em "Mientras Caen Las Lágrimas". Mas bonita mesma ficou uma velha composição de Willie Dixon regravada pelos Stones, "I Just Want to Make Love to You", que em espanhol ficou com nome de sucesso de dupla sertaneja: "Quiero Hacer El Amor Contigo".
De quebra, os criadores deste blog em espanhol garimparam vídeos raros dos Stones e os publicaram no YouTube com as devidas legendas. Confiram a seguir uma das minhas canções prediletas das pedras rolantes: "Paint in Black", também conhecida pelos hispânicos como "Pintalo de Negro".
Você já parou pra pensar em quantas palavras as letras de suas músicas prediletas têm? Pois é, nem eu. Aliás, se alguém souber qual a quantidade de palavras que composições como "Faroeste Caboclo" ou "Like a Rolling Stone" possuem, mande as respostas para mim, porque tenho preguiça de contar. Porém, o blogueiro americano David K. Israel acabou por fazer uma lista no mínimo interessante: as sete melhores músicas cujas letras não têm mais do que 35 palavras não repetidas. David citou algumas canções bem bacanas com letras minimalistas, dentre elas "You Are So Beautilful", de Joe Cocker, e "Everybody’s Gotta Learn Sometimes", gravada originalmente por Korgis e depois por Beck em uma versão matadora para o filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Lembrei de mais uma expressionante música com menos de 35 palavras: "The One I Love", do R.E.M. Diga-se de passagem, uma das letras mais cáusticas sobre relacionamentos amorosos de todos os tempos.
E aqui no Brasil, se alguém fosse elaborar uma letra dessas, que músicas poderiam aparecer? Eu de cara lembrei de um monte de gravações dos Titãs, da época em que eles ainda faziam discos bacanas, na companhia de Arnaldo Antunes, Marcelo Frommer e Nando Reis. Por exemplo, "Polícia". Tem ainda "Canto de um Povo de um Lugar", de Caetano Veloso, música gravada em 1975.
Agora, na lista dos piores, eu incluiria diversos axés e aquela música que fez com que o Carlinhos Brown levasse um monte de garrafadas quando se apresentou no Rock in Rio III. Aquela da água mineral, cuja letra (na íntegra) é esta: "Bebeu água, não!/ Tá com sede, tô!/ Olha, olha, olha, olha a água mineral/ Água mineral/ Água mineral/ Do Candeal/ Você vai ficar legal!"
Jornalista, colaborador de publicações como as revistas Rolling Stone Brasil e Pix. Editor do blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso. Multi-instrumentista frustrado, toca reco-reco, triângulo e campainha. Os sons que compõem a trilha sonora de sua vida: Beatles, Teenage Fanclub, Echo & the Bunnymen, Violins, Soda Stereo, The B-52's, Morcheeba, Paralamas do Sucesso, Nina Simone e Buffalo Tom.